Passou pela nossa cabeça que poderíamos guardar esta pauta para a edição verde da TudoBem. Ainda bem que não, afinal, a revista sairá em abril, dois meses após a folia momesca. A notícia já rodou pela blogosfera, redes sociais, sites jornalísticos e hoje é capa do jornal A Tarde. Parece que toda agitação, comércio, consumo e lixo, típicos da folia, foi  parar no fundo do mar da praia que o The Guardian elegeu como a terceira mais bonita do mundo: o Porto da Barra. 

 Mas, como Bernardo Musse, em Global Garbage, alerta: “Não tem alegria alguma no fundo da folia!”. Mais de 1.500 latas, garrafas de plásticos e lascas de abadás – com certeza entre outros apetrechos que ali não deveriam estar – foram catados por quatro mergulhadores voluntários, sem cilindro de ar, com sacos grandes e a bordo de duas pranchas de SUP (Stand Up Paddle).

  

 Em seu post-desabafo, Musse relata a impressão: “Da superfície o visual parecia com as imagens áreas que vemos dos blocos de carnaval durante a festa momesca. Só que ao invés de estarem pulando, dançando e se beijando ao som frenético e ensurdecedor dos trios elétricos, os foliões do fundo do mar estavam rolando de um lado para o outro numa mórbida coreografia, empurrados silenciosamente pelo balanço do mar, sem dança, sem alegria, sem vida e sem poesia”.

 

Deixando claro que não é contra o que é positivo no carnaval, ele contesta o paradoxo organizacional da festa endinheirada. “Sei que o comprometimento com os patrocinadores e aquela velha guerrinha de vaidades contra os carnavais de outros estados como Pernambuco e Rio de Janeiro, acabam conspirando para isso. Mas vejo aí um modelo cansado, super dimensionado, sem inovações socialmente positivas e remando na direção oposta ao desenvolvimento sustentável da nossa cidade”.

Nós, da TudoBem, somos mais alguns que questionam o modelo, pegando a ponga do já sugerido por Bia Casali, do Arte Social Online. A ideia é básica: – Grandessíssimas empresas, principalmente as cervejeiras, que vocês tomem tento e pratiquem ações sustentáveis não só de modo corporativista ou para a venda de produtos, mas estimulando, na sociedade, o retorno do que foi consumido, através da coleta seletiva em massa. É o que Bia indicou como Marketing para Causa Social.

Bernardo Musse deixa a “deixa” dos eventos do Porto, como “Música no Porto” e “Espicha Verão”, este último, por sinal, tem sido lindo na programação, porém muito mais interessante ficaria com algumas restrições (ou controles) na venda dos ambulantes.

 

E tudo isso por um simples motivo: “O fundo do mar não merece aquele bloco reluzente e, ao contrário do asfalto, o oceano costuma revidar violentamente as agressões sofridas”, intenciona Bernardo.

Né?

 

Ao invés de por a moedinha e levar aquele salgadinho crocante ou um refrigerante bem gelado, aproveitaram as vending machines para uma função prática e com preceitos sustentáveis. Você coloca latinhas usadas, garrafas pets ou sacos dos tais salgadinhos e ainda ganha um troco pela ação verde, que pode ser dinheiro ou cupons de desconto. Dentro das máquinas, os materiais são comprimidos e separados por tipo. Além disso, neles são instalados telas LCD, o que os tornam, também, veículos de mídia sustentável. Eles são bem populares na Noruega e Alemanha. Nos EUA, a Coca-Cola resolveu aderir à idéia. Tudo bem que não é no Brasil, mas serve de inspiração. Varejistas, se empolguem!

 

Outra dica para lá de internacional são as irreverentes cuecas de banana. Olha que ótimo! A empresa australiana AussieBum leva as honras. Na composição, 27% é fibra de banana, 64% é algodão e 9% é lycra, para garantir a elasticidade. Sean Ashby, o idealizador, explica: “A fibra de banana é leve, resistente e absorve bem a umidade do corpo. Por que não usar?”. Ele garante que vai liderar o mercado de “cuecas sustentáveis” para o futuro. Alguém conhece outra? Então, Ashby, seja bem-vindo!

PS: Os homens da redação liberaram este post… vê se pode? Só pq é dia da mulher…. Ai ai ai! Pena que não vende no Brasil!

Documentário A História das Coisas, de Anne Leonard

Conheça mais arte: Garbage of New York City!

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